O budismo Vajrayana burlou o budismo tradicional?
A minha intenção aqui é fazer mais uma análise sobre a prática Vajrayana que eu considero que se usou do budismo para captar elementos que justificassem as magias e rituais em nome de um bem maior: a iluminação. Mas essa prática poderia se chamar Kabbalah Vajrayana ou algo do tipo.
É importante termos em mente que o budismo primitivo, do Buda original, não aplicava rituais, não usava magias e as meditações significavam mentalizar a consciência da realidade, da impermanência, do sofrimento, da natureza humana e transcender isso, ou seja, atingir um estado em que não se sentiria mais raiva, medo, egoísmo, etc, mas tão somente a compaixão por todos os seres. Um processo gradativo e demorado para a maioria das pessoas comuns, podendo levar incontáveis vidas para se chegar à iluminação. Outra diferença importante é que os ensinamentos do Supremo Buda não eram secretos, tudo foi transmitido de forma muito transparente e acessível a todos que buscassem pela compreensão da vida e a compaixão.
Quando eu estava pesquisando sobre a prática Vajrayana, foi inevitável na minha cabeça não comparar ao que várias denominações que se dizem cristãs estão fazendo especialmente no Brasil, pegando ensinamentos preciosos de Jesus Cristo e transformando em medo, em julgamento, em política, em punição, em cobrança financeira com culpa… e em ódio.
A própria Bíblia já alertava sobre os falsos profetas e os lobos em peles de cordeiros. É assim que eu vejo a maioria das igrejas evangélicas fazendo atualmente. Assim como a prática Vajrayana se usa da pureza do budismo original para implantar métodos transgressores e ocultistas, muitos pastores estão se usando do cristianismo para atingir objetivos pessoais e de dominação mental de seu rebanho, algo que com certeza exige um forte grau de psicopatia travestida de fé.
Sim, essas desvirtuações acontecem em outras religiões, veja por exemplo os terroristas islâmicos empregando o nome de Allah para matar em nome da fé.
O importante então é entender que a maioria dos budistas não é vajrayana, a maioria dos islâmicos não é terrorista e a maioria dos cristãos (as ovelhas, não os pastores!) não é desonesta. Mas é sempre assustador perceber como a psicopatia humana sempre se usa de algo bom, como a fé das pessoas, para transformar em algo perverso, para construir atalhos, provocar medo e culpa, se colocar implicitamente como divindade ou pastor e se tornar um modelo a ser seguido.
Quantas pessoas estão sendo enganadas em nome da fé pela busca da salvação ou da iluminação, chame como quiser! Os mestres, os gurus e a maioria dos pastores continuam compartilhando algo em comum: a psicopatia. E isso é muito assustador.