Luana

Minha rede local com adblock nativo

Publicado em 17 de dezembro de 2020
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Escrevi nesse post e nesse aqui sobre as mudanças que o Google implementou no Chromium e que limitará a ação de extensões como os adblockers ou bloqueadores de anúncios.

Como tudo nessa vida, quando algo impõe limites à liberdade do ser humano, naturalmente alternativas são criadas e muitas vezes mais eficientes do que as originais.

Pois bem, anteontem comprei uma plaquinha Raspberry Pi e a transformei em um servidor DNS com adblock nativo. Agora todos os dispositivos conectados à minha rede local estão protegidos de propagandas e não dependem de nenhum browser navegador pra isso.

Atualmente a minha rede local no piso superior é assim com o Raspberry Pi em ação:

Conectei o Raspberry Pi com adblock no modem Tim Live que espalha a conexão através de um roteador principal da Tp-link e mantem conexão com outros dois roteadores que estão instalados no piso inferior e outro na edícula para que toda a casa se mantenha conectada sem perdas de velocidade.

Além disso, o modem principal, o roteador e o Raspberry Pi se mantém conectados mesmo com a falta de energia através de um no-break com suporte a bateria externa, então conectei nele uma bateria estacionária que estende a duração dos dispositivos conectados em até 24 horas. Sendo assim, quando falta energia (e infelizmente isso é comum no bairro onde moro) me mantenho conectada ao wifi principal sem interrupções.

Como transformar o Raspberry Pi em um servidor DNS com adblock nativo

É preciso ter os seguintes componentes:

  • 1 Raspberry Pi Zero W (a mais simples possível)
  • 1 case pra armazenar a plaquinha
  • 1 fonte chaveada de 5V 3A Micro USB
  • 1 cartão de memória Micro SD 16GB classe 10
  • 1 adaptador USB leitor de cartão Micro SD (caso o seu PC/notebook não tenha leitor de Micro SD)

O primeiro passo é formatar e copiar o sistema operacional pra dentro do cartão de memória. Pra isso, entre em raspberrypi.org/software e faça download do aplicativo que contem a ferramenta pra formatar e copiar o sistema operacional.

Insira o adaptador de leitor de cartão MicroSD com o cartão inserido nele ao USB do seu computador. Abra a ferramenta que baixou anteriormente e selecione formatar o cartão. Após formatar, escolha instalar a opção Raspberry Pi OS Lite. Depois, basta abrir o diretório onde o sistema foi copiado no cartão, criar um arquivo com o nome e formato: wpa_supplicant.conf

Abra esse arquivo, copie e cole o seguinte código (faça as alterações com o nome da sua rede wifi em “SSID” e senha em “PASSWORD”) e salve:

country=BR
ctrl_interface=DIR=/var/run/wpa_supplicant GROUP=netdev
update_config=1

network={
    ssid="SSID"
    psk="PASSWORD"
    key_mgmt=WPA-PSK
}

Depois crie no mesmo diretório um arquivo vazio sem extensão com o nome ssh. Isso habilitará o acesso ao Raspberry Pi sem necessidade de monitor e teclado, apenas com linhas de comando.

Feito isso, retire o cartão Micro SD do computador e encaixe com cuidado no Raspberry Pi. Encaixe a placa no case, feche, conecte a fonte e ligue na tomada próxima ao seu roteador principal.

Acessando o Raspberry Pi por linha de comando via SSH

Como fiz todos os procedimentos no meu desktop com Windows 10, usei o PuTTY pra acessar o Raspberry Pi via SSH.

Quando ligamos o Raspberry Pi na tomada, automaticamente ele se conectou ao seu wifi baseado na rede e senha que você informou anteriormente. Sendo assim, seu roteador provavelmente já identificou a placa e associou um IP a ela. Use esse IP pra acessá-la via SSH.

O usuário e senha padrão do Raspberry Pi são:

usuário: pi
senha: raspberry

A primeira coisa a se fazer é atualizar o sistema operacional:

$ sudo apt-get update && sudo apt-get upgrade -y

Após a atualização (que deve demorar um pouco) vamos finalmente instalar o Pi-Hole, o sistema responsável por criar o servidor DNS com bloqueador de propagandas nativo:

$ curl -sSL https://install.pi-hole.net | bash

Siga os passos do setup de acordo com as suas necessidades para a sua rede. Normalmente manter as opções já marcadas são suficientes.

Pronto. O servidor está instalado e funcionando, simples assim.

Agora você só precisa entrar nas configurações do seu roteador e mudar o DNS principal para o IP do Raspberry Pi (o mesmo que você usou pra acessá-lo via SSH).

Pra acessar o painel do Pi-Hole caso você tenha escolhido essa opção no setup inicial, basta acessá-lo pelo endereço http://IP_DO_RASPBERRY/admin

Lá você encontra estatísticas, logs e outras configurações como adicionar novas listas de bloqueio e atualização do sistema.

Minha experiência até o momento com o Pi-Hole

Estou há dois dias usando o servidor DNS com adblock nativo e não tenho observado problema algum. A diferença do Pi-Hole pra extensões no navegador é que como as propagandas são bloqueadas nativamente, qualquer adblocker que você usar no navegador terá um trabalho reduzido, tornando a sua navegação mais rápida.

O Pi-Hole ainda tem algumas limitações como por exemplo não conseguir bloquear propagandas no Youtube, já que o Google usa algoritmos mirabolantes que somente um bom adblock no navegador consegue bloquear.

O Brave por padrão bloqueia propagandas no Youtube sem a necessidade de extensões.

Resumindo, achei válida a instalação do servidor DNS com adblock nativo, ainda está distante de ser uma solução definitiva mas creio que com o tempo a tendência é que talvez empresas se especializem em criar dispositivos roteadores já com adblocks eficientes embutidos.

Enquanto isso não acontece, estou feliz por ter alternativas que me tirem das limitações impostas pelas gigantes da propaganda.


Este é o meu post de número 86 do desafio #100DaysToOffload – Just. Write.