Luana Olíveira

O Brasil de Lula e Bolsonaro

Publicado em 28 de maio de 2021
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É… eu sei… Política brasileira é sempre um assunto chato mas incrivelmente inesgotável porque os absurdos não param de acontecer.

Vou registrar aqui um pequeno desabafo pra ter como previsão de uma pedra que cantei antes mesmo das eleições de 2018: de que Lula voltaria em 2022 como “O Salvador da Pátria”.

Quando eu estava na escola, ouvia muito sobre o Brasil ser o país do futuro. Que quando o povo vota em político corrupto é porque ele “rouba mas faz”. Isso se mantem à risca até hoje e o futuro parece cada vez mais distante.

Quando Lula pegou o governo lá no início dos anos 2000, realmente estávamos em um mar tranquilo – o Real era uma moeda nova e forte, a economia estava estabilizada, os empregos em alta… eu diria que foi um privilégio pegar o Brasil naquele patamar que Lula pegou e foi fácil pra ele construir uma imagem benevolente e surfar a onda da prosperidade pela qual o país passava.

Da popularidade de Lula veio o nosso maior erro: acreditar que um político se manter na presidência nos ajudaria a manter a bonança, quando é justamente o contrário – quando a gente mantem um político/partido por muitos mandatos, se cria raízes profundas, garras afiadas, injeta o mel do poder, transborda a arrogância e abre as portas pra corrupção.

Com isso, o desrespeito passa a prevalecer, a corrupção torna-se lugar comum e os pobres passam a ser usados mais do que nunca como compra de votos camuflada. Lula continuou na presidência, permitiu se lambuzar com o mel, conseguiu eleger posteriormente uma presidente de seu partido que deveria ser uma marionete mas talvez o maior erro de Lula tenha sido justamente eleger Dilma, pois ela não teve carisma nenhum pra continuar a manutenção do PT no poder. Ela se queimou como presidente e deixou seu partido queimar junto. Dilma não foi capaz de parar a Lava Jato e vislumbramos o maior esquema de corrupção da história do mundo.

Então finalmente tiramos o PT do poder. Ufa.

Ufa? Daí veio Bolsonaro… Em menos de um mandato o cara já conseguiu cometer vários níveis de ingerência, desorganização, desmantelo, ignorância, arrogância, pedância e agir sempre como um moleque mimado e desobediente que adora ser do contra só pra provocar os inimigos. Mas Bolsonaro fez rapidamente um favor à Lula que Dilma não foi capaz de fazer em vários anos: acabou com a Lava Jato.

E pra finalizar mas não menos importante: assim como Dilma pedalou em sua bicicleta no auge da crise pela qual o Brasil passava na época do impeachment, agora vemos Bolsonaro de moto pelas ruas causando aglomerações em plena pandemia quando beiramos meio milhão de mortos. Significa?

Todos eles têm um jeitinho peculiar de demonstrar que pouco se importam com a gente, eles só querem mesmo uma única coisa: PODER.

Por isso vejo como mais importante do que nunca A ALTERNÂNCIA DE PODER. Jamais permitir que um político/partido permaneça dois mandatos seguidos que possa corromper ainda mais as instituições e aparelhar o Estado.

Eles são todos iguais, só precisamos cuidar para que não cultivem dois mandatos políticos/partidos seguidos.

Bolsonaro teve a sua chance. Hora de circular.

Dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é.

– Maquiavel